Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

NATAL DE QUEM?

Mulheres atarefadas

Tratam do bacalhau,

Do perú, das rabanadas.

 

-- Não esqueças o colorau,

O azeite e o bolo-rei!

 

- Está bem, eu sei!

 

- E as garrafas de vinho?

 

- Já vão a caminho!

 

- Oh mãe, estou pr'a ver

Que prendas vou ter.

Que prendas terei?

 

- Não sei, não sei...

 

Num qualquer lado,

Esquecido, abandonado,

O Deus-Menino

Murmura baixinho:

 

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

 

Senta-se a família

À volta da mesa.

Não há sinal da cruz,

Nem oração ou reza.

Tilintam copos e talheres.

Crianças, homens e mulheres

Em eufórico ambiente.

Lá fora tão frio,

Cá dentro tão quente!

 

Algures esquecido,

Ouve-se Jesus dorido:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

 

Rasgam-se embrulhos,

Admiram-se as prendas,

Aumentam os barulhos

Com mais oferendas.

Amontoam-se sacos e papeis

Sem regras nem leis.

E Cristo Menino

A fazer beicinho:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

 

O sono está a chegar.

Tantos restos por mesa e chão!

Cada um vai transportar

Bem-estar no coração.

A noite vai terminar

E o Menino, quase a chorar:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

Foi a festa do Meu Natal

E, do princípio ao fim,

Quem se lembrou de Mim?

Não tive tecto nem afecto!

 

Em tudo, tudo, eu medito

E pergunto no fechar da luz:

 

- Foi este o Natal de Jesus?!!!

 

 

(João Coelho dos Santos

in Lágrima do Mar - 1996)

O meu mais belo poema de Natal

  

publicado por lamire às 00:37
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

A Força de Cretcheu

A FORÇA DE CRETCHEU

Eugénio Tavares


Ca tem nada na es bida
Mas grande que amor
Se Deus ca tem medida
Amor inda é maior.
Maior que mar, que céu
Mas, entre tudo cretcheu
De meu inda é maior
Cretcheu más sabe,
É quel que é di meu
Ele é que é tchabe
Que abrim nha céu.
Cretcheu más sabe
É quel qui crem
Ai sim perdel
Morte dja bem

Ó força de chetcheu,
Que abrim nha asa em flôr
Dixam bá alcança céu
Pa'n bá odja Nôs Senhor
Pa'n bá pedil semente
De amor cuma ês di meu
Pa'n bem dá tudo djente
Pa tudo bá conché céu

 
A FORÇA DE UM AMOR

Não há nada nesta vida
Mais grande que o amor
Se Deus é tão grande
O amor ainda é maior
Maior que o mar e o Céu
Mas, entre todo esse amor
O meu ainda é maior
Amor tão grande
É aquele que é meu
Ele é a chave
Que abre-me o Céu
Amor tão grande
É aquele que me quer
Ai se o perder
A morte já chegou

Ó força de amor
Que me a abriu a minha asa em flor
Deixa-me ir alcançar o Céu
Para ir ver meu Deus
Para lhe pedir a semente
De amor como esse meu
Para dar a toda a gente
Para que todos conheçam o Céu
publicado por lamire às 19:28
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

PX

Não deixe que o peixe se queixe.

Safou-se do coice

E da foice que foi-se.

Mas se o enlace falhasse

E de face mudasse,

Tudo se passaria

Como nada se passasse.

O impasse!

Ai se a massa da taça

Da caça não passa!

E a peça do Beça

Que não cessa em Leça!

E a missa omissa

Em Liça?!

E a preguiça da piça?

Ai, que foi-se o peixe, foi-se a foice,

Foi-se o passe, é o impasse!

Foi-se a massa, foi-se a taça,

Foi-se a peça, foi-se o Beça,

Foi-se a missa, foi-se a piça!

Pôssa! Xissa!

 

Ant. Simões / Abril 2001

publicado por lamire às 15:39
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Espaço Curvo e Finito

 

Oculta consciência de não ser,

Ou de ser num estar que me transcende,

Numa rede de presenças

E ausências,

Numa fuga para o ponto de partida:

Um perto que é tão longe,

Um longe aqui.

Uma ânsia de estar e de temer

A semente que de ser se surpreende,

As pedras que repetem as cadências

Da onda sempre nova e repetida

Que neste espaço curvo vem de ti.

 

          José Saramago

(16Dez1922-18Jun2010)

 

publicado por lamire às 19:44
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